domingo, 11 de março de 2012

Coringa



As paredes do quarto começam a ficar escuras trazendo a claustrofobia de dentro pra fora.
Sabia que a hora ia chegar, olho papéis e livros, mantenho os olhos ocupados para a mente não divagar. Tento achar desculpas, me convencer de que fiz o melhor, mas a dúvida me invade e o silêncio da madrugada grita ensurdecedor. Suo frio, será que fui tão idiota¿ Rir da situação não ameniza mais sensação de inquietude. Rostos e corpos dançam diante mim num ritmo alucinado e denunciante. A respiração se torna ofegante e o vento não é o bastante para refrescar a certeza que me corrói. Aconteceu de novo, como eu disse rir não adianta mais. O calor sobe pela garganta, seco, em forma de mão invisível cortando a respiração. Mais um castelo de cartas que vai ao chão, e percebo que todas são do mesmo naipe. Tudo incomoda. O alcool, o cheiro de cigarro, procuro no ambiente motivos pra culpar algo além de mim por não mais conseguir deixar pra lá. 

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