Sonhei que te vi essa noite.
A gente estava num bar, e o clima era de que você não aparecia a muito tempo. Parece que enquanto eu fui me deteriorando, esse tempo te deu uma dignidade que nem eu, nem ninguém enxergava antes. Estava de camiseta e jeans, com um ar concentrado, daquele jeito que se chega nos lugares parecendo que está procurando algo ou alguém, mas na verdade é só pra olhar o cenário.
Teu cabelo parecia mais vivo. Os cachos dele se desprendiam um do outro de um jeito que me fez lembrar até do teu cheiro, e faziam uma moldura perfeita pro teu jeito de franzir a testa toda vez que alguém te reconhecia.
Mas a camisa preta e o jeans realmente te fizeram bem, acostumado a te ver de vestido, lembro daquele teu “tomara que caia”, foi a primeira vez que tu me pareceu uma pessoade verdade. Porque nunca pensei em ti pagando contas, estudando, fazendo mercado. Não, eu só te via noturna. Linda. Determinada. Superficial.
Parecia outra mulher, e a maneira que você sentou no balcão, com os cotovelos apoiados, de costas me pegou desprevenido, esperava que voltasse rápido encontrasse tuas amigas e fosse lá fora fumar um cigarro.
Mas não foi o que aconteceu, nem contigo nem comigo.
Nesse sonho eu parecia morto, ou simplesmente representando o meu papel agora, nessa história toda, o meu papel de fantasma, pois você passava os olhos e como agora também não me via. Sim, fantasma mesmo, uma lembrança ruim. Mas estou falando de você, de você e do seu jeans azul.
Mas enfim, terminou o copo, finalmente foi fumar e eu te acompanhei feito fumaça, eu adoro o teu olhar distante de quem pensa muito e não diz nada. Tu parecia mais nova, mas também parecia mais madura, pode ser apenas a sobriedade que tenha te devolvido alguns anos, ou a minha embriaguês que tenha me tirado o julgo, mas a maturidade eu sei que é tua.
Tu também estava mais magra, e a camiseta justa quase me fez chorar. Nunca vou poder te dar um novo jeans, muito menos pôr aquela flor no teu cabelo. Sim eu lembro ainda até das flores.
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