quinta-feira, 8 de março de 2012

Hold your breath...




Os prédios da cidade só aumentaram minha sensação de solidão, e eu bebi cada momento daquele sentimento como se fosse vinho. É engraçado como a saudade tem seu charme quando achamos que ainda tem solução. As ruas eram cinzas, e a arquiterura triste de um jeito que faz você se apaixonar pelo clima de cada rua. Uma garota estava rindo e fumando, isso me levou de volta a você, adoro o jeito como ri. Mas a bebida tem esse efeito e me diverti com a risada dela mesmo sem saber o motivo. O vento amezinava a sensação de calor e imaginei todos no café com casacos elegantes e quis que estivesse ali para dividir os pensamentos.
Parei no café Tortoni, ele existe desde 1884 sabia? Uma garota gostou do meu olhar a julgar pela quantidade de momentosque retratou de mim e do meu cigarro. Tinha lindos cabelos cacheados e o ar intelectual a deixava mais bela do que relamente era. Há quem diga que cometi uma heresia escolhendo a cerveja ao café tradicional, mas a cafeína me faz lamentar demais, enquanto o alcóol me faz aceitar o que assim está. Quase senti o teu cheiro no meio da fumaça e da poesia. Um chinês riu quando pedi a conta, achou meu sotaque engraçado, não riria se soubesse o porque de tantas garrafas.
Em uma ruela uma mulher chorava ao som do tango argentino e tive vontade de me unir à ela em coro, mas não conhecia a canção. Senti a tristeza no ar, Buenos Aires tem o poder de te fazer chorar sorrindo. Em cada café, em cada livraria, sentia necessidade de ter você comigo, mas me limitei a comprar um chocolate, pra ti é claro, uma vez que não aprecio doces em geral. O caminho de volta foi lindo e lúgubre, como tem sido a cada avenida desde então. É uma pena que sejas fruto do meio em que vive, e que nunca terá  a profundidade para entender o que sente o coração dilacerado de um sentimental irrecuperável como eu.

Nenhum comentário:

Postar um comentário